Vida e Obra de Amarillus Cardini

 O poeta italiano Amarillus Cardini escreveu a sua obra prima, “Polifases”, em meio a uma turbulenta Veneza, em alguma década entre 256 e 804 d.C., mas, provavelmente, entre 451 e 492 d.C., datas referentes, respectivamente, ao seu nascimento e falecimento.
Amarillus, nesta obra, reuniu poemas que, afirmam especialistas, pertencem ao contexto social de Gana entre 758 e 623 a.C., onde houve forte efervescência política.
Os poemas, datados dentre os reinados de Mingus (4125 a.C) e Pecces (1813 a.C), fazem óbvia referência também aos estranhos hábitos do Papa Jubileo IV (42 d.C – 53 d.C), que era encontrado muitas vezes fazendo castelinhos de areia e com o dedo no nariz.
A ideia inicial da coletânea de poemas que compõem as “Polifases” é uma radical crítica ao extremismo que começou a figurar a América Latina na década de 70, tendo como plano de fundo experimentos com drogas e shows de Rock’n’Roll.
Amarillus Cardini ganhou notoriedade, principalmente no fim do século XIV, onde entrou no círculo social de grandes pintores Renascentistas. Em 1122, visitou o Brasil, onde se apaixonou pela ex-gladiadora Erígides (450 a.C. – 112 d.C.). Os dois protagonizaram uma romântica história de amor, transformada em filme por Hugo Zelladini (521 d.C. – 652 d.C.) em 1947. Eles tiveram cinco filhos, mortos até hoje.
O casal, apesar de feliz, depois de uma briga no intervalo de um musical da Broadway, foram embora nervosos e sofreram um acidente na Champs Eliseé e não resistiram.
Porém, suas vidas permanecerão para sempre na história, sendo um símbolo do amor, da amizade, e representando, principalmente, um marco na história da Dança

Eu, Queiroz e a Fotocopiadora

Histórias construídas com J. Guilherme Lício, do http://prypiat.wordpress.com – um dia desses sai a história toda sob o ponto de vista dele.

21 de Novembro de 1929

Lembro de ter chegado pontualmente às 8 na repartição. Subi os três andares que levavam ao 34 da Ala B do Edifício General Altamirando Gomes e entrei na sala prevendo o pior.

Realmente, o que me esperava era o pior. Assim que entrei, dei de cara com um Silva enfurecido, dizendo barbáries sobre mim e destruindo quase tudo que encontrava. Eu não tive a audácia de perguntar o que tinha acontecido, porque, de fato, eu já sabia o que tinha acontecido: as ações tinham virado lixo, pó, vento, ou o que você quiser. As ações deixaram de ser, had ceased to be.

Silva me viu e veio gritando em minha direção, dizendo que ele tinha avisado, que eu caí na lábia do Siqueira, e que o Peixoto tinha dito que aquilo iria acontecer. Que eu devia ter vendido tudo antes, antes que nada mais não tivesse valor nenhum, que, pelo menos aí, teríamos alguma merreca pra dividir e comer por mais uma semana pelo menos. Estávamos quebrados.

Eu me defendo, como sempre, com o mesmo argumento de que Siqueira era um superior e eu tive que obedecê-lo, não tive culpa. E agora, tinham que ver com ele sobre isso, porque eu só segui ordens e a culpa não era minha, quer dizer, eu mesmo teria vendido as ações há oito meses atrás, quando as coisas começaram a apertar e eu me lembro de ter dito pro Queiroz, “Queiroz, vamos vender essa bagaça antes que o couro coma, e se o couro comer, o couro de todo mundo aqui vai ser comido, e até os ossos”, e ele não me deu ouvidos.

E o telefone toca. Esse maldito telefone toca. Pra fugir das acusações do Silva encapetado, eu pego e atendo o telefone. Péssima ideia. Era o Mendes, mais encapetado ainda do que o Silva.
- Ô, Lorival!? – com a voz carregada de ódio.
- Fala, Mendes.
- Que é que tu fez?!

E aí começou tudo de novo, trocas de xingamentos, trocas de argumentos, mas de nada adiantava nada, porque tudo já tinha ido pro espaço.
O maledeto ainda teve a coragem de me dizer que não era pra ter ouvido o Siqueira, que todo mundo sabia que ele tinha esquema com o Marques e que eles sairiam dessa ilesos, sem nenhum arranhão no orçamento. Eu sempre duvidei disso tudo, mas agora parecia real. O maldito Siqueira me engambelou e ainda por cima saiu tranquilo, no maldito opala que dividia com o Marques. E nenhum dos dois nem pra dar as caras e pelo menos varrer o chão pra deixar o apartamento com dignidade pra imobiliária, nada disso.

Deu 8:16, eu desliguei o telefone pesado de raiva. Decidi “vou no banheiro pra dar uma relaxa”. Entrei no banheiro, lavei o rosto e me olhei bem seriamente no espelho, dizendo:

- Vamos ter calma! Não é porque o mundo caiu que eu vou me jogar no chão.
Saí praquela maldita janela pra fumar um cigarro. E também isso foi um erro.

Da janela, eu vi chegando na aparentemente calma rua o bendito opala bege de Queiroz. Aquilo me partiu a cabeça e quase tive um AVC, ainda bem que andava praticando cooper.

Pra surpresa de todo mundo, quando Queiroz chegou, ele também estava bruto, mas não era por causa de nenhuma ação. Ele procurava ferozmente seu charuto cubano que tinha ganhado da sogra, Soninha.

Remexeu tudo, jogou tudo no chão, colaborando decisivamente para deixar o ambiente inóspito. E procurava o charuto cubano da Soninha por toda parte, e xingava todo mundo, e me xingava, e eu xingava de volta. Sempre fui implicado com o Queiroz e não posso contar nos dedos o número de vezes que mandei-o tomar em seu respectivo orifício. Apesar dele ser um superior, eu nunca temi nada dele e ele sempre esteve no meu pé. Era uma relação respeitosa de ódio mútuo.

Continuava o Queiroz a procurar o cubano e veio com tudo pra cima de mim, me acusando.
- Ô, Lorival, onde é que tá o maldito cubano, seu porre?!
- Vai – pausadamente – tomar no cu, Queiroz! E aproveita e enfia lá o cubano também!
- Vai pro inferno, moleque! – e quase me deu um murro na cara, mas eu desviei e empurrei ele pra longe.

Nesse empurrão, ele deu de testa com a pobre fotocopiadora. Isso o tirou do sério e, para não me matar, pegou a máquina, ergueu-a com toda a sua velha força e a atirou pela janela. Nunca vou me esquecer de como ele saiu de lá rapidamente, enfurecido, e de como eu saí na janela pra ver o estrago e fiquei com as mãos levantadas, exclamando:

- Pupa que pariu, esse velho tá doido!

Isso, mais tarde, fez com que me acusassem pelo crime da destruição da fotocopiadora, mas consegui me safar, porque contei muito detalhadamente o que tinha acontecido naquela manhã, sempre tive boa memória.

Depois de ver, pela janela, a destroçada fotocopiadora, resolvi que iria lá embaixo ver como é que ela tava. Tinha uma boa desculpa pra dar uma relaxada.

Cheguei ao solo, e fui em direção da dita cuja. Ela tinha deixado de ser, had ceased to be. Estava desintegrada na minha frente, em cacos.

Porém, uma coisa eu reparei: a sua portinhola destinada à colocação de tinta continuava inteira. Me aproximei daquela marginalidade financeira, me agachando do lado dela. Abri a portinhola, meti a mão lá dentro e comecei a rir desenfreadamente.

Além de um pouco de tinta, o que encontrei na portinhola da finada fotocopiadora foi um belo, intocado e agradável cubano.
Foi o melhor charuto que fumei na minha vida.

13 de Maio de 1976

Há tempos, o tempo tinha passado e, com isso, algumas mágoas. E lá estávamos alguns de nós novamente, no mesmo prédio e na mesma repartição – Queiroz tinha conseguido tudo de volta por causa de uma aposta em 75. “Dessa vez é sério”, ele disse.

Passados uns meses, já ambientados com a rotina de trabalho, trabalhávamos e conseguíamos um lucro razoável.

Na tranquila manhã dessa sexta-feira, 13 de maio, eu acordei já atrasado por causa de uma cachaçada no dia anterior e, quando cheguei na porta do prédio, o porteiro me disse:

- Amigo, não chegou ninguém ainda da sua repartição e eu não posso deixar você entrar, precisa esperar o Queiroz porque ele tem a autorização e, além de tudo, as chaves.

- Tá certo.

Quer dizer, não tá nada certo. Já eram 8:30, sendo que entrávamos às 8, e eu era o primeiro a chegar.

Então eu fiquei lá, sentado na calçada, achando tudo aquilo muito ridículo, e com uma ressaca lascada. Minha cabeça doía demais.

Depois de uns vinte minutos, vejo o opala bege chegando.

Queiroz sai do carro, se achando todo elegante, para pra acender um cigarro, e volta a andar. A hora em que o maldito me olha sentado na calçada, tem a coragem de me dizer uma coisa assim:
- Ih! Chapou e dormiu aí mesmo?!
Fiquei transtornado.
- Ô, Queiroz, vê se vai fazer aquele nosso combinado vai, eu to aqui faz meia hora esperando e você me vem com uma merda dessas?!
- Chega disso, moleque. Preciso conversar sério com você. – ele ficou sério.

Até aí tudo bem, ele abriu a porta, a gente entrou na repartição, começamos a trabalhar e ele me veio com esse papo de novo.
- A gente precisa falar sério.
- Tá, manda, vai.

E começou com um papo de que a sua ex-sogra, Soninha, estava em seu leito de morte e que ele iria visitá-la a pedido dela mesma, e ele temesse que ela pudesse perguntar sobre o charuto cubano de 40 anos atrás que eu tinha achado na fotocopiadora e fumado e então ele precisava saber o gosto e coisa e tal.

Eu olhei bem pra cara dele e disse:
- Ô Queiroz, eu posso te falar o gosto do cubano sim!
- Não, não! Você precisa é arranjar um cubano pra mim, aí eu vou fumar e ver como é.
Esse cara era demais.
- Isso é um absurdo! Como é que eu vou arranjar um cubano hoje?! Cuba tá em regime fechado, meu irmão! E outra que eu não tenho dinheiro nem pra ir pra Olaria!
- Você vai ter que dar um jeito!

E continuou ele a tarde toda me enchendo o saco, falando que eu precisava arranjar, tal, pra eu ver no mercado negro se coneguia e todo tipo de coisa assim.

Mas o bicho falou tanto, que eu fiquei estressado e pedi pra ele parar com essa merda, uma última vez.

Claro que ele não respeitou a minha sugestão e continuou enchendo o saco.

Recordar é viver: eu me levantei, puto da silva, peguei a maldita fotocopiadora, levei até a mesma janela de 1929 e defenestrei-a. Deu pra ouvir o delicioso som dela se espatifando no chão.

O Queiroz, idiota que era, ficou sem reação, me olhando e tentando raciocinar sobre o que eu tinha feito.

Eu virei pra ele, na maior raiva, e disse:
- Ó, Queiroz, desce lá e vê se tem algum cubano na maldita portinhola. Aproveita e vai pra pupa! Eu me demito dessa merda! Não dá pra conviver assim!

E então eu saí, com todas as minhas coisas. Um dia depois, ele me ligava pedindo desculpas e falando pra eu voltar pra repartição. Eu aproveitei e pedi um aumento e uma garrafa de uísque. Ele disse que aumento não dava pra dar, mas que garrafa de uísque ele arranjava três. Fechado.

Revolução do Riso

Há algumas diferenças entre tentar abater o coelho, e matar o coelho e mostrar o pau. Primeiro porque o pau está longe de ser a melhor ferramenta para se abater um coelho. Claro que, também, se você desse um tiro num coelho, nem precisaria mostrar a arma, já que o barulho final condenaria os meios. E enquanto isso, os coelhos fogem.

Nos EUA e em outros lugares, mandam ver no “Occupy”, “Ocupe”, etc. Em Jerusalém, Jesus e seus amigos pregam “Ocupai-vos e bebei-vos”. No Brasil, a coisa funciona diferente: ao invés do famoso “Ocupar”, a palavra de ordem é “Culpar”; “Culpar Brasília”. E é uma tática eficiente, funciona desde que nos chamamos por República, com as devidas variantes em “Brasília”.

Eu sei que me culpam por parecer ser “Anti-Revolucionário”, ou “moralista”, ou até “reacionário”, mas eu não sei do que estão falando. A gente não pode soltar uma opinião que logo vira alguma coisa. Eu não quero virar nada. Eu não estou do lado do Sistema. Se vocês são os 99%, eu sou o 180%. Se vocês acham que o Capitalismo precisa acabar, eu já estou criando o sétimo sistema político pra substitui-lo. Pouco menos sou niilista. Nunca faria parte de um grupo representado por uma palavra com tantos Is, é a vogal que eu menos gosto. Eu gosto mais da vogal U e também da O. A me enche o saco, E então, eu nem comento. Legal também é a vogal perdida Y, todo mundo lê como vogal, só que ninguém admite. É o filho bastardo.

Foco, foco, foco. Voltando, sobre tudo aquilo que está em voga, não é que eu seja “Anti-Revolucionário”, é que eu faço parte da Revolução do Riso. E sou eu sozinho.

Deixo aqui proposto. Se querem revolucionar fazendo algazarra, sangue, sacanagem, gritaria, protesto, vão lá, beleza, mas acho que a principal revolução é a elegância. Minha ideia era, ao invés de ocupar qualquer lugar, ir nesses lugares e ficar rindo de quem entrava. Rir de todo mundo que faz parte do Sistema. Ou então só rir e ficar rindo. Aí vocês vão ter que aguentar todas as piadas dos jornalistas a respeito. E da opinião pública, mas a opinião pública é a opinião de Deus, e Deus não sabe nada de política.

Casamento Elegante

Desculpa, eu já estive aqui antes, eu sei. Mas é que não estou habilitado a acreditar no que ouço da cozinha, explicitando a realidade de um recente casamento de família requintada da cidade:
- Muito luxo e jurupinga.

Pra mim, já deu.

Extraterrestres, entre outros


Hoje me deu vontade de perder o foco, então vou fazê-lo sem estribeiras nem eiras.

Vou adentrar o secreto mundo dos Extraterrestres e sugerir formas de interpretar suas manifestações. Comecemos.

Os primeiros casos de ETs não são novos, porém, é previsível no gráfico um aumento considerável de casos e/ou avistamentos com o surgimento dos filmes de ficção científica. Coincidência? Não sei. O sucesso subiu pra cabeça dos alienígenas? Aposto que sim.

Depois dos primeiros casos, aconteceram os primeiros causos. E com os causos, os fatos foram se mistificando e, até hoje, ninguém sabe se viu um disco voador direito – mas ET mesmo, já viram aos baldes.

O disco voador, depois de ser visto, libera um peculiar e desconhecido gás protetor que tem como fim um não-integral esquecimento do avistamento por parte da vítima, o que acaba virando confusão.

Há muitos séculos, foram levantadas teorias sobre toda essa história, mas a minha teoria mesmo é de que sejam uma sociedade secreta. E como toda teoria não necessariamente é verdade, eu não vou defender meu argumento.

As topadas por aí com alienígenas em carne e osso (chuto raso), porém, são auto comprobatórias. “Você viu um alien? Como pode provar?”, “Ué, meu amigo, eu vi, está não só provado, como comprovado”.
O problema é que o excesso de filmes, revistas, livros, etc, sobre isso, nos confunde a famigerada caixola. Então, continuamos céticos e titubeantes em relação ao assunto.

Mas ninguém levanta outra questão: o que ELES acham de nós?

Minhas apostas estão em que eles nos acham uns caras legais, uma raça até boa, só que não dariam seu raio destruidor massivo pra nós. Assim como você não daria sua serra-elétrica para o seu cachorro.
Acham também que podíamos melhorar, mas que precisaríamos abandonar aqueles papeizinhos estranhos que estão em todo lugar, porque eles parecem uma raça alheia à nossa existência e que em breve nos aniquilará e dominará a Terra.
Outra sugestão da opinião alienígena é a seguinte, cientificografada: – Ovni, ovni, ovni. Você gosta desse nome?
- Não muito. Gosto mais do inglês, UFO. E você?
- Sei lá. Acho que isso tudo é melhor do que disco voador, pelo menos.
- Nisso eu concordo. Mas, afinal, o que tem pra fazer às 32 da penumbra?
- Aonde?
- Qualquer lugar.
- Acho que nada, nunca tem. Vamos dar um pulo num bar?
- Opa! Com certeza. Brigamos de novo ou não?
- Óbvio que sim, depois a gente confere no YouTube.
- Sampa?
- Sampa.
- Bora.

Enfim, eu sou assim mesmo. Até loguinho.

Combo Despretensioso de Quinta

Só pra descontrair.
Mas não se esqueçam que a campanha de apadrinhamento do Millôr continua.
Inclusive, ontem, depois que eu publiquei o texto aqui, acabei sabendo da notícia de que ele teve alta e saiu do hospital depois de cinco meses, FOI UM SINAL!

Então vamos nessa, que é boa a beça.

Pra ajudar, mande o link do blog ou daquele post específico, ou para o twitter (http://twitter.com/millorfernandes) ou para o site (http://www2.uol.com.br/millor/aberto/escreva/index.htm).

E por aí vai.
Aquele abraço (nem o do Gil, nem o do Caetano, o meu mesmo).

Millôr, me apadrinhe.

Como diria qualquer rostinho bonito: “cansei do ostracismo”.

O problema é que eu não sou um rostinho bonito, apesar de toda minha elegância, e também não quero nenhum teste do sofá, porque acordei com dor nas costas.

Então, eu tive um plano: ser apadrinhado pelo Millôr Fernandes. E, antes que me perguntem “por que Millôr?”, eu digo: ele está vivo (um dos poucos), ele é o principal expoente humorístico da atualidade, e, é claro, ele precisa de um sucessor.

Então, eu vim aqui, na maior humildade e benevolência, e me dispus, sem eira nem beira, querendo o mundo e o fundo.

Então, o plano é o seguinte:

Adentraremos, em massa, seus canais de comunicação, ou seja: twitter e site.

No twitter, a ideia é mandar qualquer coisa sobre a campanha e o link do meu blog junto, e aí, ver no que dá. O twitter dele é https://twitter.com/#!/millorfernandes

No site, é a mesma coisa. Vamos mandar a ideia da campanha com o link do blog na seção “Escreva para o Millôr”, do link: http://www2.uol.com.br/millor/aberto/escreva/index.htm

Agora, se você quer saber o motivo de toda essa sacanagem, e o que eu vou ganhar com isso, deixo claro: não faço ideia, só quero gerar polêmica e abalar as estruturas. O Millôr que veja o que fazer comigo, se um “muito obrigado”, um “get out of here, stalker” ou uma paçoquinha, aí é com ele. O importante é participar.

E o que vocês ganham com isso? Aí eu também não sei. Meu “muito obrigado”, sem nenhum “get out of here, stalker” e muito menos uma paçoquinha, porque eu estou com tostões negativos.

Então, peço, encarecidamente: percam esse tempo comigo.

Obrigado,

Danilo ou Chico Carandina.

Deu No Que Deu

Deu no Nenhum York Times: ser contra o governo tá na moda. E ser contra o sistema político, o sistema financeiro e o sistema em geral também. “Lute contra o Sistema”, eles dizem. E dizem desde 1960, e dizem nas paredes dos hospitais e terrenos baldios, com letras disformes e negras.
Deu no Lugar Algum Diplomatique: o mundo está em crise civil. E olha que eu já venho dizendo há tempos. “Fica, vai ter revolução”, é o que dizem. Só não sei onde e nem como. Pergunte à burguesia delinquente.
Os desempregados todos do mundo se comportam como classe média ou se suicidam, como na Grécia. Ou são ateus. Ou acessam o Tumblr e o 9GAG. Os revolucionários todos acessam o 9GAG e vestem a máscara do Guy Fawkes. Os capos da revolução vieram das profundezas da internet (vide Deep Web) e, como sempre, não correspondem à população real, mas à uma população específica, não tão pequena, porém com os pés pouco fixados nesse chão que nos aprisiona.
Remember, remember the Fifth of November. Talvez poucos dos que dizem isso saibam realmente os planos de Guy Fawkes e turma para o poder. Eu não quero me lembrar de nada, porque isso nada significou.
Deu no Facebook: o mundo está com abstinência de luta política. Luta política é uma beleza, ninguém luta de verdade, ela parte da reclamação e volta pra reclamação. Luta política todo mundo gosta. Deu em todo lugar conflitos entre estudantes e policiais: Brasil, Chile, Europa, EUA, onde for. Deu em pouco lugar que os pobres mesmo continuam numa boa, comendo o torresmo que o diabo amassou, ocupando a periferia ou então alguns prédios abandonados no centro da cidade.
Luta política é uma beleza, mas luta humana exige muito da gente. Primeiro a política, depois a humana. Vamos pelas partes que interessam primeiro. “Revolução se faz por violência”, me dizem, “é o único modo que funciona”. Claro, claro. Tanto que sempre funcionou, todas as revoluções violentas do mundo deram certo, tanto é que agora estamos todos numa nice, sem problemas.
Enquanto houver sangue sendo derramado, haverá sangue sendo derramado, porque é a máxima de Lavoisier: nada se perde, tudo se transforma. E eu não acho que sangue se tranforma em música, assim como carne não se transforma em milho.
Deu na Bolha de São Paulo: nunca fomos tão infelizes e insaciáveis. Adoramos viver sobre esse lençol de imagens e símbolos que construímos, mesmo que isso tenha custado o colchão da realidade.

O que foi Aristeu?

Nada como sair impune de uma tremenda bebedeira. A única coisa que ressacou em mim foi uma dor nas costas. Mas isso não foi pela bebedeira, foi pelo inapropriado uso do adormecer.
Como é perceptível a olhos nus e sem pudores, eu não estive completamente em mim ontem. Aristeu que o diga.
A festa estava normal, no meu nível, até que resolvemos levar uma amiga embora, andando. Fomos eu, um amigo e um desconhecido (e a amiga, claro). O desconhecido surgiu após termos saído do portão.
Foi nos acompanhando o tempo todo, pouco dizendo e percorrendo muito mais passos do que nós, os outros três, juntos, no mesmo caminho. Ele ia pra lá e pra cá, bambeando, tropegando, tropeçando e cavocando o vento com sua toca preta.
Era um rapaz um pouco pequeno, mas não muito. Vestia um moletom preto e calças jeans. O moletom terminava em uma toca, no topo, e ele a vestia sem pudores.
De repente, o desconhecido saiu correndo como um touro espanhol em direção a um carro, com a sua negra toca apontada para a traseira do inocente veículo. Tão de repente quanto foi, de repente ele parou, atônito e dramático, com os braços abertos e posição de alarme. Não estava, na verdade, tão perto do carro, mas era questão de um segundo e meio para cabeceá-lo com vigor.
Caímos na gargalhada. Que ser misterioso era aquele. Ele não dizia quase nada, mas quando dizia, fazia-o com propriedade.
- Noooossa, o Jão e o Jéferso vão matá eu! – com a língua tão cambaleante quanto suas pernas.
Recomeçávamos a rir, e quando a recuperação era atingida, perguntávamos.
- O quê?! – pausa para risos – Porque eles vão te matar?
- Eles iam dormir em casa hoje! Agora, eles vão chegar lá, tocar a campainha e eu não vô tá lá! Minha mãe vai atender xingando! Preciso ir pra casa!
O excesso de exclamações é necessário para fazer justiça às suas falas.
E então a gente ria e ia andando. Todo mundo subiu e desceu as escadas da passarela sem problemas, graças ao corrimão. Depois, chegamos na casa da amiga, só que o desconhecido teve que dar uma parada pra expurgar os demônios na outra esquina.
Nos despedimos, ela partiu. Retomamos a viagem com ele
- Cara, qual é seu nome, pelo amor de Deus? – não me contive.
- Aristeu.
A surrealidade da persona citada havia atingido níveis utópicos. Aristeu era seu nome, e isso não se digere tão facilmente, pelo menos não sem lubrificar a garganta com risada.
- Aristeu?!
- É!
- Que nome legal! É difícil ver gente com nome legal assim.
Ele achou que era alguma ironia, e disse:
- É, legal mesmo.
- Sério mesmo! Baita nome!

Até que chegou o momento da partida.
Aristeu se virou para nós e disse que precisava ir, porque senão o Jão e o Jéferso iam matá ele. A gente perguntou se ele precisava de ajuda, se queria que a gente fosse com ele, mas ele parecia estar pelo menos ciente de onde morava.
Depois, ele tirou a toca e revelou ter uma grande juba, era um cabeludo, isso sim. Despediu-se, agradecendo a preocupação dispensada, e partiu.
Nós, os dois restantes, continuamos. Subimos e descemos as escadas sem problemas, brincamos de gangorra no parquinho de frente com a igreja e, adrenalinamente, tocamos a campainha de uma casa, às 3:30 de sexta-feira.
Nada como sair impune de uma tremenda bebedeira.

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